domingo

ARAÇAÚNA


"Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar. "
                                                     Mário Quintana
Cor vinho. Azedo e Doce na medida certa. O picolé de araçaúna da Ajelson e os primos dos mais variados graus são os reencontros certos nas praias do verão.

Por décadas vinham em saquinhos transparentes. Depois, a complicação que confundimos com evolução, criou embalagens opacas. Toda informação que tenho da araçaúna é o desenho do saquinho do picolé. Mas, poderia ser qualquer outro desenho que não reconheceria. Nunca vi uma araçaúna “em pessoa”. Não sei como é seu pé. Ou será árvore?  Nunca comi uma araçaúna. Terá sementes? Espinhos? Sua casca é da cor da polpa?

Da araçaúna não entendo nada. Não sei se floresce no outono ou se cai do pé quando madura.

Pode ser que o picolé que me acompanha há mais de 30 verões nem seja de araçaúna de verdade. Pode ser que não exista araçaúna. Pode ser que araçaúna seja uma invenção do desejo de um menino de chupar um picolé que fosse simultaneamente azedo e doce.

Poderia pesquisar. Google. Wikipédia. Fazer uma visita de campo. Conhecer os mistérios da araçaúna. Desfazer os mistérios da araçaúna. Entender o caminho da fruta ao saquinho.

Melhor não saber. Da araçaúna sacia-me o picolé da Ajelson.

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